Cultura Japonesa

Akemashite Omedetou! – Feliz Ano Novo! – Parte 1

Minasan, Akemashite omedetô gozaimasu!

Espero que tenham passado uma ótima virada de ano!

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Este ano de 2020 é o segundo ano da Era Reiwa e é o ano do Rato pelo horóscopo lunar (ano chinês). Espero que o ano seja repleto de coisas boas a todos!

E falando em ano novo, sabem como os japoneses passam o ano novo?

Os rituais de ano novo no Japão não ficam apenas no dia primeiro de janeiro, ele dura alguns dias. Por isso neste post falarei de um deles apenas primeiro e, continuarei em outros posts, excepcionalmente, todos os dias como especial de início de ano!

御節料理 (おせちりょうり – OSECHI RYÔRI) É o banquete de ano novo.

A sua origem remete a Era Heian (794 d.C. a 1185 d.C.) quando os nobres faziam um banquete especial em datas significativas. Essas iguarias ainda não eram de alcance de todos. Porém na Era Edo (1603 d.C a 1868 d.C) esse costume começou a se espalhar, mas por ser caro, as pessoas só o faziam no primeiro dia do ano, já que é o dia de receber o Toshigamisama. Naquela época, a intenção era informar ao deus o fruto do trabalho de todo o ano, por esse motivo os pratos eram feitos com os ingredientes locais.

Com o passar do tempo, o enriquecimento da população e o intercâmbio entre regiões, o Osechi Ryôri foi ficando cada vez mais rico em sabores e cores.

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Uma das características do Osechi Ryôri é ser composto por pratos que se conservam por mais tempo. Os possíveis motivos para essa característica são:

  • Para não atrapalhar, com a movimentação da cozinha, o Toshigamisama que veio visitar a família e oferecer a ele um ambiente austero;
  • Para deixar o Kamado no Kamisama (deus do fogão/cozinha) descansar;
  • Para evitar usar o fogo, que era considerado sagrado;
  • Para dar um momento de descanso às mulheres da casa.

Além disso, ele deve estar distribuído dentro do 重箱 (じゅうばこ – JÛBAKO) que é um conjunto de caixas, que ficam dispostas uma em cima da outra, para simbolizar o acúmulo de sorte que terá no ano que está começando. O conteúdo também é específico, pois cada ingrediente e receitas terá a sua simbologia.

Antigamente, eram 5 caixas, sendo que em 4 estavam os alimentos e o quinto ficaria vazio para poder receber as graças do Toshigamisama. Atualmente é mais comum encontrar apenas 4 caixas.

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Na hora de comer, também há o cuidado de usar um talher especial. O 祝い箸 (いわいばし – IWAIBASHI), que é um hashi (talhares japoneses feito de hastes de madeira ou de bambu) próprio para esta ocasião.

O Iwaibashi deve:

  • Ter os dois lados finos (lado próprio para pegar os alimentos), um lado é para a pessoa usar para comer e o outro lado será onde o deus irá comer. Pois um dos objetivos do Osechi Ryôri é dividir com o deus as conquistas do ano;
  • O hashi deve medir 8sun (medida antiga japonesa equivalente a 24cm), uma medida considerada de bom agouro;
  • Deve ser feito de salgueiro que é uma árvore de madeira resistente. Por ser o ritual do início do ano, o hashi não deve quebrar para não dar azar;
  • E a sua parte central deve ser arredondada, para simbolizar a saca de arroz e assim a fartura.
  • No Ômisoka, o patriarca deverá escrever o nome de cada ente familiar num envelope individual, colocar cada hashi dentro e deixar no altar. No dia primeiro do ano cada ente familiar pegará o seu hashi, O lavará e usará até o dia 7 de janeiro.
@箸のはしばし

 

Ficou com vontade de experimentar? Deve ser tudo uma delícia né!

Até a Parte 2

Mata ne!

 

4 comentários em “Akemashite Omedetou! – Feliz Ano Novo! – Parte 1”

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